Fiquei em dúvida se montava minha lista pessoal baseando-se inteiramente na qualidade dos álbuns ou naqueles que eu mais me afeiçoei e por isso ouvi mais durante o ano.
No fim resolvi seguir, digamos, o coração ao invés de fazer algo puramente racional. Até porque a lista que fiz aqui pro blog ano passado difere sensivelmente da opinião que tenho hoje da música em 2008 e são, afinal, os álbuns que mais ouço mesmo.

# Dirty Projectors, Bitte Orca
Eu já estava preparado pro tipo de música que a banda faz depois de ouvir o ‘Rise Above’, um álbum que recriou ‘Damaged’ do Black Flag da maneira mais inusitada possível. E de todos os álbuns da lista este é mais peculiar, aquele que chama mais atenção pela estranheza e por isso mesmo, parece inclassificável. Porém, a grata surpresa é que, de toda a discografia da banda, este é o mais acessível e agradável.
Apareceu no blog com a reprodução da capa do álbum.
# John Frusciante, The Empyrean
Quem me sugeriu ouvir Frusciante foi um amigo que adora as gravações lo-fi do início da carreira-solo do guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Acontece que, como brinco com o amigo, essas gravações parecem que foram feitas num banheiro minúsculo e da maneira mais precária possível. Por isso, ouvir este ‘The Empyrean’ foi uma ótima surpresa. Frusciante não é o tipo de guitarrista virtuoso. É daqueles que, aparentemente, faz as coisas na sensibilidade.
Apareceu no blog com a música “Today”.
# Dan Auerbach, Keep It Hid
Parece The Black Keys, mas não é. Enquanto a banda cria um som mais garage rock: pesado, agressivo, visceral; este álbum-solo aqui apresenta momentos mais intimistas com ecos de blues (mais que o The Black Keys) e alguma coisa de country.
Apareceu no blog com a música “Whispered Words”.
# St. Vincent, Actor
Um álbum que foi chamando a atenção aos poucos. Uma música aqui, outra acola e logo, gostava (muito) do álbum todo. Ao que me consta, todas as canções são narradas por uma mulher, ora enfastiada com o mundo de aparências em que vive, ora trancada num hotel à espera de motivação. Por tudo isso, o álbum é conceitual e nem por isso burocrático.
Apareceu no blog com os vídeos de “Actor Out of Work” e “Marrow”.
# Phoenix, Wolfgang Amadeus Phoenix
O álbum pop do ano. Dançante, bem feito e redondinho. O tipo de coisa pra se ter e ouvir sempre que quiser alegrar um pouco. E, olha, não é exagero não, viu.
Por um lapso que só agora percebo, não apareceu no blog em momento algum neste ano. Relacionado com o álbum, digo.
# Soap&Skin, Lovetune for Vacuum
Há alguns anos atrás eu nem me esforçaria pra ouvir algo assim sabendo de antemão que não gostaria. Impressionou pela melancolia e pelo lirismo, algo a ser levado em consideração no álbum de estréia de uma garota de 18 anos.
Apareceu no blog com a música “Cynthia”.
# Mayer Hawthorne, A Strange Arrangement
Ah, o lado alegre e dançante da lista - junto com Phoenix, claro. É o tipo de música que, em termos de qualidade absoluta, não é lá expressivo. Ouvi álbuns melhores que este, é verdade. Mas poucos deles me alegraram tanto como esse aqui. Da segunda música (sim, porque a primeira é um ‘anúncio’) até a última, o álbum é uma sucessão de canções divertidas.
Apareceu no blog com a música “Maybe So, Maybe No”.
# Arctic Monkeys, Humbug
Convenhamos, uma banda que faz um enorme sucesso de crítica e de público e que consegue chegar ao terceiro álbum de maneira coesa é algo digno de respeito no mundo da música pop. Gostei da mudança na sonoridade da banda e, detalhe importante, muitas músicas boas.
Não apareceu antes aqui.
# The Dodos, Time to Die
Disse há poucos dias que, das bandas de neofolk que surgiram nesta década, o The Dodos era a que mais se distinguia pelo som alegre. Adoro o uso da bateria nas músicas do trio.
Apareceu no blog primeiramente com a música “Two Medicines” e depois com o vídeo “Longform”
# André Ethier, Born on Blue Fog
Cheguei até este álbum por um daqueles acasos. Fuçava sem objetivo definido no Rate Your Music quando vi essa capa e, sem saber de nada sobre que tipo de música era, me pus a procurá-la pra baixar. A intuição desta vez foi acertada: o álbum é fascinante.
Apareceu no blog com a música “Infant King”.